ZUMBI TINHA ESCRAVOS: Capítulo IV do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Resumo por Paulo Pasqual
Leandro Narloch inicia o capítulo IV do livro mencionado no caput deste post, intitulado “Agradeçam aos Ingleses”, contando a história de Zé alfaiate um negro, africano que depois de conseguir a carta de alforria, voltou à África e virou um grande traficante de escravos. Segundo Narloch a cultura da escravização era algo comum para a época, independente da proximidade étnica dos senhores e escravos, além disso, a escravidão não era uma especificidade negra, na própria África havia muitos escravos brancos, até mesmo portugueses, que por algum atrito com o monarca local tenham sido escravizados.
Conta ainda o Jornalista que era comum se ver no Brasil príncipes e nobres de reinos africanos visitarem e fazerem estudos de intercâmbio nas escolas da Bahia. Era mais ou menos como hoje em dia se faz entre Brasil e Estados Unidos ou Europa.
Zumbi, o maior herói negro do Brasil, o homem em cuja dada de morte se comemora em muitas cidades o dia da consciência Negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também seqüestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executava aqueles que quisessem fugir do quilombo. (p.83)
É, talvez essa seja a informação mais intrigante presente nesse capítulo, um herói nacional, reverenciado pelos brasileiros como precursor das idéias de igualdade e dignidade era na verdade um escravagista. Narloch argumenta ainda que o Quilombo dos Palmares reproduzia uma rígida hierarquia africana, com servos e escravos. Além disso, outros negros não eram diferentes “o sonho dos escravos era ter escravos” (p.88) na sociedade Brasileira, tanto na colônia quanto no Império, ter escravos era sinal de prestígio social, logo esse era o principal objetivo de um negro liberto. Assim como foi o caso da famosa Chica da Silva que tinha diversos escravos e não hesitava em castigá-los. Aos poucos a miscigenação também criou uma classe de senhores de escravos mulatos e pardos, enfraquecendo a ideia que se tem do senhor branco e de dezenas de escravos sofridos ao redor da casa grande.
Com relação à abolição da escravidão no Brasil, o Jornalista e ex-editor da revista Aventuras na história, argumenta que o tráfico negreiro era a atividade que mais movimentava a economia do Brasil e dos países da África que ganhavam muito capturando e escravizando seus companheiros. Isso mesmo, os escravos não eram caçados pelos europeus, normalmente eles eram apenas vendidos por outros africanos que já haviam capturado seus compatriotas. Esse esquema econômico que tanto movimentou dinheiro por esse período só foi extinto no Brasil em 1888, um ano antes da proclamação da república, por pura pressão da Inglaterra, que já havia abolido a escravidão em 1833. Narloch ainda propõe mais uma reviravolta na historiografia, segundo ele os princípios da abolição não estavam relacionados a um aumento em potencial do mercado consumidor das manufaturas inglesas, como é abordado nos livros didáticos e nas escolas da atualidade. Para Narloch existia realmente um movimento da população inglesa de solidariedade que não admitia esse tipo de tratamento aos seres humanos o que sustenta essa hipótese é que a Inglaterra também perdeu muito com a abolição da escravidão, visto que ela também mantinha grandes negócios com o tráfico.



Interessante a lógica de Narloch ao falar que Zumbi tinha escravos. Vejamos.
ResponderExcluir1-Primeiramente Narloch fala que O QUILOMBO tinha escravos com base na obra de Edison Carneiro, O Quilombo dos Palmares:
"Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos..." (Edson Carneiro, O Quilombo dos Palmares)
2-Em seguida, com base nesse trecho do livro que fala do Quilombo, Narloch diz que ZUMBI tinha escravos.
3-E, logo após, na mesma página, Narloch fala:
"Não dá para ter certeza de que a vida NO QUILOMBO era assim mesmo..." (Leandro Narloch, Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, pág. 86)
Bom, se não dá para ter certeza de que a vida do Quilombo era assim, forçosamente então não dá para ter certeza de que a vida de Zumbi também era como ele narra.